Aciência dos fractais apresenta estruturas geométricas de grande complexidade e beleza infinita, ligadas às formas das artes, da natureza, ao desenvolvimento da
vida e à própria compreensão do universo. São imagens de objetos abstratos que possuem o caráter de onipresença por terem as características do todo, infinita
mente multiplicadas, dentro de cada parte, escapando assim da compreensão, em sua totalidade, pela mente humana.
Pode-se definir os fractais como “objetos que apresentam auto-semelhança, obscu ridade imutável e autossimilaridade.” A concepção teatral, dramatúrgica e encenação que proponho em meus espetáculos são fractais tautológicas, ou seja, a definição do significado de suas criações artísticas está contida em si mesma.
Algumas vezes sem evidenciar informações sobre seu significado; por outras dando elementos para além dos limites do conteúdo textual, seja pela respiração, por meio do corpo e voz dos atores, do ritmo ou do tom das cenas e, ainda, na própria constru ção das marcas e repetições de cenas com significados semelhantes, porém com seus registros individuais e distintos, expostos na concepção geral da obra.
As estruturas fractais repetem-se, aparecendo e desaparecendo constantemente, dissolvendo-se e reaparecendo, mas elas não se repetem precisamente. São variações sutis, características de sistemas complexos e não lineares, qualidades materializadas no corpo e movimento dos atores, pelos ritos, elementos integrantes dos estudos do JHL Method–Biomecânica Fractal.
Ao longo de 40 anos de carreira, criei na prática e, em diversos estudos teóricos, um método para ampliar o mindset, corpo, voz e espírito dos atores e atrizes, seja para o teatro, televisão ou cinema. São ferramentas para o enfrentamento de desafios na criação da personagem, domínio e controle da respiração e do corpo, transformação e aceitação de mudanças internas para se tornar, todos os dias, um ser humano melhor.
A metodologia criada para desvendar a alma humana baseia-se no enfoque holístico da realidade, que sustenta a ideia de que o ser humano é muito mais do que a matéria física; o homem é matéria e antimatéria; estamos inseridos num universo formado por campos de energia interligados, em que tudo está a interagir constantemente.
Artigo escrito por: Acadêmico Janssen Maciel Ribeiro
Clique aqui para baixar o artigo na integra.
Uma resposta
A leitura do artigo é instigante e promove o que todo texto bem construído de conteúdo relevante é capaz de fazer, o desejo de continuar lendo e, no caso, de conhecer ainda mais a respeito.
O método que devolveu e descreve, como obra que é toda arte, enseja desdobramentos para quem alcança, perfeita viagem em interpretações e possibilidades várias.
Como relatada, a criação faz pensar, também, em instrumento que não se restringe à formação do relevante profissional artista, que se apodera daquele para lapidar a si, para o exercício dinâmico e atuante que a todos encanta.
Sugere profundamente um recurso que transcende e que, artistas ou não, merecemos experimentar e nos deixar tocar como experiência do processo de , entre outros, autoconhecimento.
Perdoe a extensão mas, uma vez exposta a obra, impossível conter as asas.
Parabéns pelo relato da construção de quarenta anos de dedicação em um belíssimo artigo.
Parabéns Janssen Hugo Lage pelo trabalho, pelo método e pela leitura que nos apresenta e com a qual nos presenteia.