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O Transtorno de Personalidade Borderline e sua relação com a automutilação

A partir de pesquisas e estudos, da leitura de materiais referentes à saúde mental e das minhas próprias experiências e vivências tendo uma filha com o Transtorno de Personalidade Borderline, compus o presente artigo.

O Transtorno de Personalidade Borderline é dolorido para aqueles que o têm, por ser um transtorno ligado ao campo afetivo. O portador possui o pavor de se sentir rejeitado. Em termos de relacionamentos afetivos, é capaz de conhecer uma pessoa em uma noite, e naquela mesma noite, já ir morar com ela; por medo de perdê-la pode ser capaz de submeter-se a relacionamentos abusivos; é capaz de se apaixonar loucamente por uma pessoa, como já dito, e logo morar com ela, e ao mínimo sinal de rejeição, abandonar a pessoa sem a mínima reflexão, vindo após o arrependimento e rios copiosos de lágrimas. No mesmo dia, pode ter intensas variações de humor: amor, ódio, alegria e tristeza. Pode
estar com muito ódio de alguém, mas basta um gesto de carinho para que um contagiante sorriso brote em seu rosto.

Vimos que as relações interpessoais são instáveis, tanto para o portador do Transtorno Borderline, tanto para aqueles que convivem com ele, pois na mesma hora em que ele é Sol que brilha, pode se transformar em tempestade com raios e trovões. Tudo é extremamente intenso. São indivíduos descontrolados emocionalmente, que só vivem no 8 ou no 80; para eles não há meio termo. Muitos sofrem de depressão profunda, pois quando a tristeza e o vazio vêm, é para valer; e o sofrimento por não conseguirem dar conta deles próprios e nem de seus relacionamentos, faz com que muitos se automutilem com o propósito de aliviarem suas dores, ou tentem o suicídio. Aliás, são entre os portadores do Transtorno Borderline que está o mais alto índice de suicídio, e é neste transtorno mental que a automutilação é um dos sintomas.

Sofre por amar demais, por se apegar e temer o abandono; pode ser extremamente agressivo e humilhar as pessoas que amam e que as amam por pouco; esse flutuar de emoções intensas o leva, muitas vezes, à recorrer ao abuso de álcool ou drogas para fugir da realidade, à automutilação como um grito silencioso de socorro ou como alívio das intensas agruras e, à tentar o suicídio, não com a intenção real de tirar suas vidas, mas sim, de matar a sua dor. Por isso, quando eles evocam a vontade de cometer suicídio, não devemos banalizar está intenção, mas sim, estarmos em constante monitoramento, e tratá los com amor, já que sofrem por temer não tê-lo. É extremamente necessário o tratamento
terapêutico e psiquiátrico, utilizando medicamentos estabilizadores de humor, antidepressivos etc.

Cogita-se que algumas causas para o TBP podem ser genéticas ou como consequência de abusos, invalidações ou traumas diversos na infância.

Não há cura para o Transtorno Borderline, mas através do acolhimento dos amigos e familiares, terapia cognitivo comportamental e uso de medicações prescritas, é possível amenizar o sofrimento e as instabilidades do paciente.

Acadêmica Claudia Lundgren Rurikovich Carvalho

Escritora, professora, educadora infantil, graduada em Direito e Pedagogia, pós-graduada em Literatura Brasileira e em Transtorno do Espectro Autista, cursando graduação em Acompanhamento do Transtorno do Espectro Autista e pós-graduação em Intervenção na Automutilação, Prevenção e Posvenção do Suicídio.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
scholar.google.com.br

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Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura​

Entidade cultural em atividade desde 1910, de quando datam seus primeiros registros como Academia Brasileira de História.

Respostas de 11

  1. Muito bom ler a respeito do transtorno Boderline, este texto nos dá consciência de que há uns 30 anos passados, nem se comentavam a respeito de determinados transtornos, e hoje tantas pessoas sofrem, vamos procurar amar e ajudar, pois são pessoas que necessitam de nosso carinho e compreensão, são Gente como a Gente.

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