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Reflexões sobre o autismo

A partir de vivências, experiências com alunos, conversa com amigos, estudo e muita pesquisa, desenvolvi esse humilde artigo sobre esse tema muito discutido e ainda pouco conhecido, que é o autismo. Falta informação, atualização, especialização, para perceber os detalhes. É preciso respeitar as mentes diferentes (e não ‘doentes’); é preciso haver um olhar especial por parte dos profissionais da medicina, da educação, dos terapeutas, da população em geral, afinal, 1 em cada 36 crianças nascem autistas, e ainda assim, muitos deles nascem, crescem, envelhecem e morrem, sem sequer saberem que estavam na parte limítrofe do espectro.

De acordo com a literatura médica, e observando crianças e adultos autistas, podemos constatar que cada autista é único, afinal, cada ser humano é único, com suas particularidades singulares. Jamais veremos dois autistas iguais, porque o espectro é amplo. Daí o símbolo característico do infinito colorido.

Mas, de fato, como podemos conceituar o autismo? Segundo o DSM-5, o autismo é definido como “um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades de interação social, comunicação e comportamentos repetitivos e restritos.”. Para ser autismo, tem que haver esses três requisitos, e causar prejuízos ao paciente no dia-a-dia.

O autismo é classificado por níveis de suporte: 1, 2 e 3. Os autistas nível 1 possuem as características autísticas sutis, e necessitam de menos auxílio para realizar as atividades diárias; não têm atraso na fala, nem deficiência intelectual; muitos inclusive apresentam o QI acima da média.

Os de nível 2 de suporte precisam de apoio moderado na realização de suas atividades. Podem ter atraso na fala, serem não-verbais e possuírem, ou não, deficiência intelectual.

Na outra extremidade do espectro, temos os autistas nível 3, antigos autistas clássicos. Muitas pessoas desinformadas, inclusive – pasmem – da área da saúde, imaginam que só os que estão no grau 3 (que possuem as características bem visíveis e que necessitam de apoio praticamente para tudo), são autistas.

Quando chega na sala de aula ou no consultório médico uma criança não-verbal, com deficiência intelectual, e com muitos movimentos estereotipados, que possuem dificuldade em socializar e em comunicar-se com seus pares, é fácil diagnosticar o autismo. Porém, quanto mais sutis aa características, mais dificuldades os profissionais têm para dar o diagnóstico correto. Falta despreparo, falta atualização, capacitação, e, talvez, um olhar especial para os autistas mais funcionais, que muitos julgam ‘não terem cara de autista’, e por isto, muitos deles crescem, são diagnosticados com uma série de CID’s durante a vida ( depressão, ansiedade, TDAH, TAB etc ), e talvez só tardiamente – como observamos na atualidade – é que o psiquiatra ou neurologista terão a sensibilidade de perceber que os CID’s acumulados eram, nada mais, nada menos do que as comorbidades que acompanhavam o autismo.

Não há um exame específico para diagnosticar o TEA; ele é feito pela observação, juntamente com questionários, que são analisados por vários especialistas na área.

De acordo com a literatura médica, e observando crianças e adultos autistas, podemos constatar que cada autista é único, afinal, cada ser humano é único, com suas particularidades singulares. Jamais veremos dois autistas iguais, porque o espectro é amplo. Daí o símbolo característico do infinito colorido.

Sendo assim, alguns autistas gostam de abraços, outros não, mas isto não significa falta de amor;
alguns autistas conseguem manter contato visual, outros não, e isso não quer dizer falsidade;
alguns gostam de socializar, outros já preferem estar em seu cantinho, e está tudo bem;
uns tem predileção por um objeto, outros por um tema;
uns necessitam de muito suporte, outros, de pouco.

Por desejarem ser aceitos pela sociedade, alguns tentam de todas as formas camuflarem suas características autísticas, negarem aquilo que são, gerando uma série de comorbidades (ansiedade, depressão etc), levando muitos ao suicídio.

Os autistas sofrem preconceito, muitas vezes são excluídos. Sempre digo que eles não devem envergonhar-se do que são; antes, orgulharem-se de quem são, e de quem podem se tornar. Cada pequeno passo, uma conquista. Não devem baixar suas cabeças, pois ser diferente não é de forma alguma ser menor. Devem mostrar ao mundo as suas especialidades, o lado bom do autismo.

Mas… ninguém disse que é fácil e que é romântico…

quando você não aguenta mais e precisa de silêncio, porque de fato se sobrecarrega;
quando te taxam de frio, sendo que amor se manifesta de diversas formas;
quando você precisa de organização para se sentir seguro e confortável;
quando você prefere a solitude por não conseguir manter uma conversa por muito tempo;
quando sua bateria descarrega por excesso de estímulos;
mas orgulhe-se…
daquele profissional focado e disciplinado que você é;
daquela pessoa honesta e sincera, às vezes demasiadamente ingênua;
do amigo um pouco sem filtro, mas inteiramente leal;
de ser intensamente verdadeiro num mundo construído em cima de ‘pequenas mentiras’;
dos pequenos avanços;
dos grandes saltos;
da primeira palavra dita.

Os autistas estão por toda parte; dependendo do nível de suporte, eles podem estar nas universidades, na área jurídica, médica; podem ser professores, escritores, um psicólogos, um dentista. Eles podem andar, falar, casar constituir família. Autista! Por que não?

Encorajo, sempre digo:

Você é capaz, e muito!
Você é simplesmente como qualquer outro ser humano, com limitações e grandes potenciais.

O que te faz menor é somente a opinião alheia. Não dê ouvidos.

Porque você é incrível!!

Mas, de fato, como podemos conceituar o autismo? Segundo o DSM-5, o autismo é definido como “um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades de interação social, comunicação e comportamentos repetitivos e restritos.”. Para ser autismo, tem que haver esses três requisitos, e causar prejuízos ao paciente no dia-a-dia.

O autismo é classificado por níveis de suporte: 1, 2 e 3. Os autistas nível 1 possuem as características autísticas sutis, e necessitam de menos auxílio para realizar as atividades diárias; não têm atraso na fala, nem deficiência intelectual; muitos inclusive apresentam o QI acima da média.

Os de nível 2 de suporte precisam de apoio moderado na realização de suas atividades. Podem ter atraso na fala, serem não-verbais e possuírem, ou não, deficiência intelectual.

Na outra extremidade do espectro, temos os autistas nível 3, antigos autistas clássicos. Muitas pessoas desinformadas, inclusive – pasmem – da área da saúde, imaginam que só os que estão no grau 3 (que possuem as características bem visíveis e que necessitam de apoio praticamente para tudo), são autistas.

Quando chega na sala de aula ou no consultório médico uma criança não-verbal, com deficiência intelectual, e com muitos movimentos estereotipados, que possuem

dificuldade em socializar e em comunicar-se com seus pares, é fácil diagnosticar o autismo. Porém, quanto mais sutis aa características, mais dificuldades os profissionais têm para dar o diagnóstico correto. Falta despreparo, falta atualização, capacitação, e, talvez, um olhar especial para os autistas mais funcionais, que muitos julgam ‘não terem cara de autista’, e por isto, muitos deles crescem, são diagnosticados com uma série de CID’s durante a vida ( depressão, ansiedade, TDAH, TAB etc ), e talvez só tardiamente – como observamos na atualidade – é que o psiquiatra ou neurologista terão a sensibilidade de perceber que os CID’s acumulados eram, nada mais, nada menos do que as comorbidades que acompanhavam o autismo.

Não há um exame específico para diagnosticar o TEA; ele é feito pela observação, juntamente com questionários, que são analisados por vários especialistas na área. Lembrando que o autismo não é doença, é por isso, não há medicamento específico para ele. A pessoa autista pode melhorar sua qualidade de vida fazendo terapias e usando medicamentos para tratar as comorbidades que acompanham o transtorno, prescritos pelo psiquiatra ou neurologista. Quanto mais cedo a criança autista iniciar seu processo terapêutico, melhor será; a terapia mais indicada para autistas é a cognitivo comportamental.

O autismo é um tema bastante extenso; é preciso estudar, atualizar-se para saber; para identificar que tanto o menino não-verbal e estereotipado quanto a menina inteligente com dificuldades de socializar podem estar dentro de um mesmo espectro. Respeitar os diferentes, focar e acreditar no potencial da pessoa autista, compreender, prestar suporte e aceitar, são imprescindíveis.

Sou diferente sim; inferior não.

“A maior barreira para os autistas não é o autismo em si, mas a incompreensão e a falta de aceitação na sociedade.”

Temple Grandin

Psicóloga e zootecnista americana autista que revolucionou as práticas para o tratamento racional de animais vivos em fazendas e abatedouros.

Como estudiosa sobre o assunto que sou, auxiliar de desenvolvimento infantil e escritora, deixo para a apreciação do leitor um poema sobre o tema:

Cores do espectro

Não me julgue pelo fato de eu ser neurodivergente,
eu apenas funciono de maneira diferente.

Faço parte de um espectro; vai do leve ao severo;
Como um quebra-cabeças, o autismo é bem complexo.

Olhar dentro dos seus olhos para mim é um tormento.

Não ajo com falsidade; são convenções sem fundamento.

Uns têm altas habilidades, outros, deficiência intelectual;

Alguns são hábeis palestrantes, enquanto muitos sofrem com a fobia social.

Meu brinquedo favorito, ou um tema preferido:
são ‘coisas de autista’ os interesses específicos.

‘Ele é muito inteligente, não deve ter autismo não!’;
mas tem um medo irracional de panelas de pressão.

Não zombe de mim se não entendo suas piadas, sarcasmo e ironias;
sou literal, seja objetivo; seu bullying me desestabiliza.

Não me levem a mal se estou em crise; se esbravejo ou no quarto me tranco;
é o copo transbordando; é a minha maneira de dizer que já não estou suportando.

De longe sinto o seu perfume, meus sentidos são hipersensíveis;
prefiro a mesma comida; apaguem a luz, não gritem.

Minha rotina é cronometrada, e se acontece o inesperado,
para mim é sofrimento; por favor, cumpram os combinados.

Não quer dizer que eu não te ame, se me fecho no meu mundo ou se a solidão me agrada;
interações sociais me desgastam; mas me esforço, camuflada.

Pago um preço absurdo por tentar me encaixar;
tenho crises ansiosas, e a depressão pode adentrar.

Possuo fascínio por letras, leio desde bem pequena,
mas preciso de suporte em atividades corriqueiras.

Tenho condições de ir onde seus olhos não podem ver.

Jamais me subestime, pois posso te surpreender.

Acadêmica Claudia Lundgren Rurikovich Carvalho

Escritora, professora, educadora infantil, graduada em Direito e Pedagogia, pós-graduada em Literatura Brasileira e em Transtorno do Espectro Autista, cursando graduação em Acompanhamento do Transtorno do Espectro Autista e pós-graduação em Intervenção na Automutilação, Prevenção e Posvenção do Suicídio.

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Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura​

Entidade cultural em atividade desde 1910, de quando datam seus primeiros registros como Academia Brasileira de História.

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